Fatores como aumento no preço do petróleo, diminuição
dos recursos de combustíveis fósseis e aumento da poluição
ambiental fazem com que exista uma expectativa de aumento no consumo
de etanol. Segundo números apresentados durante a VI Conferência
Internacional da Datagro, o Brasil consumiu 16,1 bilhões de
litros de etanol em 2005 e 27 bilhões em 2010. Assim, para
atender a crescente demanda é fundamental encontrar formas
de otimizar a produção deste biocombustível.
Neste sentido o LIFE tem empregado a engenharia metabólica
para aumentar a eficiência da produção de etanol
por Saccharomyces cerevisiae.
Apesar do processo de fermentação se iniciar com leveduras
comerciais, geneticamente aprimoradas para apresentar alta eficiência
na fermentação, no ambiente industrial estas leveduras
perdem em competitividade para as leveduras selvagens, contaminantes
mais robustas que chegam ao processo através da cana. Há
alguns anos passou-se a selecionar entre as leveduras contaminantes
aquelas que apresentavam alta eficiência de fermentação
combinada à persistência prolongada no processo. Um
dos exemplos mais bem sucedidos de aplicação dessas
leveduras selvagens é a variedade PE-2, atualmente empregada
por cerca de 30% das destilarias brasileiras, que foi responsável
por um aumento de aproximadamente 10% da oferta mundial de etanol.
Atualmente, o LIFE coordena a Rede Nacional de Leveduras/CNPq para
aprimoramento de linhagens industriais de leveduras para melhoria
da eficiência do processo de produção de etanol.
Uma outra estratégia que aumentaria a eficiência da produção
brasileira de etanol é o uso do bagaço e palha da cana.
Linhagens industriais de S. cerevisiae fermentam prontamente as hexoses
contidas nos hidrolisados de biomassas lignocelulósicas tais
como a glicose. Porém essa levedura é incapaz de fermentar
xilose, uma pentose retida na porção hemicelulósica,
que responde por cerca de 20% do total de açúcares presentes
no hidrolisado do bagaço de cana. No LIFE linhagens industriais
tem sido otimizadas por engenharia metabólica para a fermentação
alcoólica de pentoses provenientes de hidrolisados vegetais.